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Crônicas de Sorna | Conto de Fantasia Medieval

Escrito por: Herica Freitas

Crônicas de Sorna é um conto escrito a partir de uma partida one-shot para um teste de sistema de RPG idealizado pelo autor. Nessa história, Faelyn, Ravena, Javé e Thomas buscam um naufrágio de uma lenda antiga. Movidos pela recompensa em dinheiro, outros pelo conhecimento e até pela aventura em si eles partem até a ilha de Sorna. Durante a estadia em Sorna eles conhecem Morak, e juntos partem em busca do navio.

Sorna é uma pequena ilha localizada no continente de Whinterfield. Este continente gelado é dividido em quatro reinos principais, os reinos do Leste, Oeste, Norte e Sul. Cada reino é administrado individualmente por um rei em aliança com os demais, um acordo comercial entre reinos proporciona uma paz em todo o continente. Por ser uma ilha bem afastada do resto do continente, Sorna é regida através de um sub-reino do Norte, o príncipe Taran, a mando de seu pai, comanda e mantém a ordem e paz da ilha. São necessários cerca de quatro dias de navio até a terra firme mais próxima de Sorna, sendo uma viagem com um custo bem elevado para a população de menor renda.

Reza a lenda que alguns piratas naufragaram com um navio repleto de ouro e riquezas próximo a Sorna, mas, nos últimos 200 anos, ninguém jamais encontrou tal ouro. Esta lenda, até os dias atuais, faz com que a ilha seja um ponto turístico para aventureiros e exploradores a fim de encontrarem algo de valor. O ano é 1614 CV (Cômputo dos Vales), quatro aventureiros estão a desembarcar no pequeno porto de Sorna. O cheiro da água salgada preenche os ares, o vento frio bate na pele e arrepia a espinha dos que se atrevem a atravessar o frio. Logo que os aventureiros vão desembarcando no porto eles enxergam à esquerda as cargas, provisões e comida sendo ajeitadas por mercadores e à direita algumas barracas de comerciantes. Nem de longe o porto de Sorna se compara aos demais espalhados pelo reino, mas parece jeitoso e organizado.

— Nada como o cheiro de terra firme — diz Ravena ao tocar o solo após quatro dias de viagem.

— Escuta Ravena, você que parece estar comandando a expedição, me diga, por onde começar? — um jovem humano de cabelos caramelo pergunta enquanto caminha ao lado da mulher.

— Meu caro Thomas, uma boa aventura sempre começa em uma taverna — Ravena sorri.

— E quanto àquele anão engraçado que vimos durante a viagem? — Javé aproxima-se de ambos.

— Ia falar sobre ele neste momento — complementa Faelyn, um elfo com um grande arco em suas costas.

Os quatro aventureiros vieram à ilha de Sorna em um navio cargueiro movidos pela curiosidade sobre o naufrágio de 200 anos. Durante a viagem se conheceram e, visto o objetivo em comum, uniram forças para explorar Sorna. Um ponto bastante curioso durante toda a viagem foi a presença de um anão velho, que vestia roupas coloridas e estava repleto de livros, utensílios diferentes e ferramentas de explorador.

— Não é aquele logo ali? — Thomas aponta.

— O que você pretende fazer? — Ravena pergunta segurando o braço de Javé.

— Não é óbvio? Eu vou segui-lo!

— Ei Javé, espere por mim! — Faelyn o segue a passos largos.

Os quatro direcionam-se à rua onde o anão havia virado enquanto eles conversavam. Logo que chegaram à rua depois da esquina perceberam que o anão havia sumido. Por coincidência ou sorte, encontraram um prédio bastante similar a uma taverna. O exterior da taverna era muito bem construído com madeira e pedras, localizada na praça principal da cidade, é o maior prédio visto depois do castelo. Logo em sua entrada encontrava-se um letreiro escrito “Taverna Noites Frias” acima de uma grande porta de madeira que se abre para ambos os lados.

O interior da taverna encontrava-se deveras iluminado, várias mesas redondas com quatro cadeiras dispostas pelo salão. Havia também, um grande palco com uma banda de bardos tocando uma música animada e, à frente, é possível ver um alegre anão servindo bebidas em um extenso balcão. Próximo ao palco há uma pequena área cercada e protegida por alguns guardas vestindo armaduras, uma lareira acesa cercada por cadeiras luxuosas e uma mesa comprida com alguns humanos bem vestidos. Ao fundo da taverna há algumas portas fechadas e imediatamente atrás do balcão pode ser vista uma entrada com uma placa escrita “Cozinha”. À esquerda existem mesas mais reservadas e menos iluminadas, é possível observar algumas figuras diferentes das demais conversando, jogando dados e bebendo.

— Uau! Eu nunca entrei em um lugar como este. Javé, olha só aquele javali assado! — Thomas diz deslumbrado.

— Parece bom, deveríamos comer — Javé sugere salivando.

— Gente, nós viemos procurar o velho, não se esqueçam — Ravena avisa em reprovação.

— Aquele Javali parece excelente — comenta Faelyn.

— Olhem ali, o velho anão, eu posso observá-lo de perto — Ravena diz apontando para uma mesa ao fundo.

— Você fala com ele e nós pedimos a comida — Thomas diz.

— Concordo — Javé assente com a cabeça.

— Olha ali uma mesa vazia, vamos pegar ela logo — Faelyn aponta.

Os três dirigem-se até a mesa redonda para guardar lugar, Ravena com a mão sobre a testa faz um sinal negativo com a cabeça baixa. Javé passa direto pela mesa até encontrar um anão ruivo e sorridente do outro lado do balcão.

— Olá, meu nobre anão — Javé cumprimenta.

— Olá, meu jovem humano, eu sou Darvin, o dono da taverna. Em que posso servi-lo? — ele sorri com os pequenos olhinhos parecendo caramelos.

— Olá Darvin, muito gosto em conhecer o senhor. Meu nome é Javé. Escute, Darvin, meus amigos e eu vimos aquele senhor carregando um belo javali assado, gostaríamos de saber mais a respeito — Javé debruça-se sobre o balcão.

— Estamos com uma bela promoção hoje, Javé, aquele javali assado acompanha quatro tigelas de arroz com cogumelos, batatas e cebolas assadas, e quatro grandes copos de cerveja. Tudo isso por apenas cinquenta tostões.

— Demora muito para ficar pronto? Estamos com um pouco de pressa — Javé vira-se na direção do anão que seguiram.

— Não demora nadinha, já estamos com mais três javalis no forno, hoje está saindo bem — Darvin responde.

— Certo! Você pode mandar o arroz e os legumes antes da carne? — Javé pergunta.

— A cerveja também?

— Sim, Darvin, muito obrigado — Javé sorri.

— Estou aqui para atender da melhor forma. — Darvin vira as costas e segue rumo à cozinha.

Quando Javé retorna à mesa, escuta o finalzinho de uma pequena discussão sobre o velho anão estranho que o grupo observara durante toda a viagem.

— Eu voto na Ravena, ela deveria ir falar com ele — Faelyn diz.

— Vocês querem que eu fale exatamente o que? Oi, senhor anão, meus amigos e eu achamos o senhor estranho e gostaríamos de conversar. — Ravena bate sua mão direita em sua testa.

— Ele com certeza sabe que é estranho, nenhum dos tripulantes vestia-se engraçado como ele — Thomas diz.

— E não se esqueça de que não o vimos comer nada, inclusive, nem agora — Javé aponta para a mesa do anão.

 Na mesa ao fundo da taverna um anão de cabelos e barba brancos, sentava-se sozinho, aparentemente bastante velho e cansado. Ele usa uma camisa azul com borda laranja muito larga para seu tamanho, uma calça em formato de sino púrpura e sapatos engraçados como de bobo da corte. O anão carregava com ele uma grande mochila de couro com vários apetrechos amarrados a ela, em sua cintura pendia uma espécie de cinto de couro com três livros amarrados e, ao seu lado esquerdo, uma aljava de couro munida com várias penas e pergaminhos antigos.

O velho anão segura um livro de capa laranja e acompanha a leitura com os olhos, com a outra mão ele acaricia a borda de um copo, mas não o leva à boca em momento algum.

— Eu vou falar com ele — Ravena se levanta.

A jovem humana anda cautelosamente rumo ao anão, que continua imóvel lendo seu livro e acariciando a borda de seu copo, ao sentir sua aproximação o velho anão volta-se para a moça dizendo:

— Eu estava esperando por você, Ravena.

Estas palavras cortam o ar até os ouvidos da jovem moça, ela hesita por um instante, mas segue até o anão que agora olha para ela sorrindo com os olhos.

— Como você sabe meu nome? — ela questiona ainda assustada.

— Bem, peço desculpas, mas eu acabei ouvindo vocês no navio — ele fecha o livro. — Vamos, sente-se.

— Certo. — Ravena se senta. — Me diga, quem é o senhor?

— Que indelicadeza a minha, deixe-me dizer. Meu nome é Morak Stoneminer, muito gosto em te conhecer Ravena.

— Então, Morak, meus amigos e eu estávamos…

— Não precisa me dizer, ora, pois eu sei o que estão a procurar. Eu tenho uma proposta.

— Como você sabe? — ela questiona intrigada.

— Eu disse que ouvi você e seus amigos no navio.

— E diante disso qual a sua proposta? — ela vai direto ao ponto.

— Eu sei onde está o navio — ele sussurra. — Sei como chegar até lá, gostaria da ajuda de vocês para conseguir.

— E qual a condição dessa parceria? — Ravena olha nos olhos do anão velho.

— Acho que você já deve ter percebido, Ravena, assim como você, eu sou um conjurador e estudo as artes arcanas para me beneficiar em batalhas. Bem, eu quero um livro, apenas um livro. O resto é de vocês.

— Como você sabe do navio? Aliás, como você sabe o que tem dentro dele? — Ravena arqueia a sobrancelha.

— Eu era um dos tripulantes, fiquei para trás como um covarde diante de meus companheiros. Um dos meus livros de anotações ficou com um amigo, agora preciso dele para concluir um encantamento.

— Certo, se você está procurando apenas esse livro, creio que temos um acordo, mas antes preciso conversar com meus amigos. Você vem?

— Sim. — Ele se levanta e com dificuldade coloca a mochila nas costas.

Ambos caminham até a mesa onde Javé, Thomas e Faelyn aproveitam uma bela porção de javali assado, arroz com cogumelos e legumes cozidos.

— É um apetitoso javali que vocês têm aí — o velho anão comenta.

— Não gostaria de juntar-se a nós? — Ravena diz para o velho.

— Obrigado. Estou satisfeito. — Ele sorri com os olhinhos.

— Então Ravena, falou com o anão? — Thomaz quer saber.

— Sim e ele tem uma proposta — ela responde.

— Qual seria? — Javé pergunta.

— Eu posso guiá-los até o navio. — Ele olha para Javé.

— E o que você quer em troca? — Faelyn pergunta.

— Apenas um livro. — Ele olha agora para o elfo.

— Um livro? — Thomaz indaga.

— Sim, um livro de magia.

— Se sabe onde o navio está, por que não foi sozinho? — Javé pergunta desconfiado.

— Onde o navio está é o esconderijo de alguns ladrões, eles são perigosos, são elfos como você — ele olha Faelyn — mas de pele escura e olhos vermelhos, cabelos brancos e muita maldade entranhada.

— Elfos negros ladrões. — Faelyn acaricia seu queixo. — Tudo bem, eu estou com o anão. Quem mais?

— Eu — Ravena diz.

— Eu estou — Thomaz concorda.

— E você, jovem? — Morak pergunta a Javé.

— Sim! — ele responde.

— Ótimo, ótimo! Partimos assim que vocês se alimentarem. A propósito — o anão se vira para Darvin, o taverneiro. — Meu amigo, a comida dos viajantes aqui é por minha conta.

Darvin apenas acena com a cabeça, depois dá um leve sorriso para Morak.

— Comida de graça! — Thomaz diz enchendo a boca.

Após o almoço que durou cerca de meia hora, os aventureiros estavam a postos para seguir o anão Morak pelo caminho indicado. Eles agradeceram Darvin pela hospitalidade e pela comida e partiram rumo à orla da mata próxima à cidade. Pouco antes de anoitecer estavam dentro da pequena floresta em uma trilha seguindo para o local indicado por Morak em um mapa velho e amassado.

— Ei, Morak, como você sabe onde o navio está? — Javé pergunta desconfiado.

— Eu fui um tripulante — ele responde amistoso.

— Um tripulante, mas o navio naufragou há mais de 200 anos — Thomas se espanta.

— Anões vivem, em média, 600 anos, meu jovem. — Ele olha para Thomas e sorri.

Eles caminharam em silêncio por mais alguns minutos até perceberem o sinal de Morak para que parassem, estacionados atrás de algumas árvores eles observavam o pé de uma grande montanha. 

— É aqui — Morak diz baixo.

— Um navio náufrago na montanha? — Javé questiona arisco.

— Feche os olhos e se concentre Javé, irá sentir o cheiro do mar que está logo atrás da ilha — Morak responde calmamente.

— Eu acredito no anão, Javé — Thomas afirma.

— É Javé, pare de implicar com ele — Ravena o repreende.

— Apenas nos diga como acessamos o local — Faelyn diz impaciente.

— Nós entraremos por aquela fissura ali — Morak aponta. — Depois estaremos dentro do covil dos ladrões elfos, se conseguirmos ser furtivos chegaremos sem danos.

— E se não conseguirmos? — Faelyn pergunta depois da pausa dramática de Morak.

— Neste caso, lutaremos — Morak responde.

— E viveremos? — Thomas pergunta.

— Só saberemos se entrarmos — Ravena conclui.

Morak se levanta e caminha até a fissura, retira a mochila das costas e começa a se esgueirar pela fenda, vagarosamente passando entre as duas paredes de rocha maciça até que some da vista dos demais.

— Ravena você fica por último, Thomas vai primeiro e eu logo atrás. Faelyn vem depois de mim seguido por Ravena — Javé sugere.

Depois de passarem um a um pela fenda, os cinco encontram-se no interior da caverna. Ao contrário do que pensavam, o interior da caverna está bem iluminado devido a uma fogueira ainda acesa, uma panela borbulha sobre ela e a fumaça sobe até sumir na imensidão escura. Além destes elementos observa-se a água do mar próxima, como se o ambiente fosse uma praia coberta por uma montanha. Uma segunda entrada, à frente, revela o escuro inexplorado.

— Parece que não tem ninguém aqui, ao menos por hora — Morak diz baixo.

— Então, por onde vamos? — Javé pergunta.

— Eu não diria que estamos realmente sozinhos — Faelyn aponta para a segunda entrada.

Uma figura média é vista saindo da escuridão, uma elfa de pele escura e cabelos longos brancos caminha lentamente até ficar totalmente visível pelos cinco.

— Então você voltou — a elfa diz.

— Voltei, mas dessa vez não estou sozinho — Morak retruca.

— Bem, acho que devo me apresentar aos seus novos amigos. Digo, eles devem me conhecer como Ettrian, a chefe dos ladrões.

— Ettrian, nunca ouvi falar — Ravena diz.

— Eles não são de Sorna, não conhecem seu pequeno reinado de miséria — Morak provoca.

De repente uma lâmina fria corta o ar, Morak desvia por um milésimo de segundo com um movimento impressionante. A elfa negra estava frente ao anão com duas rapieiras empunhadas, o olhava com raiva e estava em postura ofensiva contra o velho anão.

— Que tal esquentarmos as coisas? — Ravena faz um sinal com as mãos.

Uma língua de fogo é projetada dos dedos de Ravena em direção à elfa, manipulando as chamas com cuidado para não atingir Morak, mas a oponente consegue escapar com agilidade. Thomas fecha seus olhos conjurando raízes do chão, estas se prendem nos pés da elfa que fica impossibilitada de fugir do próximo ataque. Morak aproveita para se afastar um pouco da inimiga, e Javé conjura um pequeno terremoto derrubando algumas rochas do teto. 

— Se protejam — Javé grita.

Faelyn lança uma flecha em direção ao alvo agora incapacitado. Ele mira, atira e acompanha sua flecha em direção à elfa enquanto as rochas caem do teto e a poeira sobe.

A caverna começa a desabar como consequência de toda aquela batalha ali dentro, os pedregulhos começam a cair aleatoriamente e os aventureiros com agilidade conseguem desviar bem a tempo de ver os elfos negros sendo presos em uma sala que desmorona.

— Corram!! —  Morak diz apontando para uma saída a leste —  Por aqui!

Todos saem em disparada desviando dos pedregulhos em direção a um corredor de pedra bem esculpido, onde entram e param logo depois da entrada. Ofegantes, os aventureiros ficam presos entre um grande amontoado de rochas e um corredor escuro ao fundo.

— Você acha que os elfos… —  Javé pergunta, mas é interrompido antes de poder terminar.

— Não, eu sinto a energia de um deles —  Rhavena diz.

— Acredito que eles não serão problema agora, vamos seguir por aqui? —  Thomas aponta.

— E temos outra opção? —  Faelyn pergunta com desdém.

— Eu acho que é por aqui, vamos —  Morak caminha lentamente pelo corredor escuro.

— Deixa eu iluminar as coisas.

Rhavena conjura um globo de luz dançante e o controla à frente de todos pelo caminho, a luz é razoável para gerar claridade o suficiente para que todos vejam as paredes bem feitas do corredor, com muitas runas mágicas e desenhos, pinturas e escritas. As pedras polidas realmente parecem itens de decoração fina.

— Morak, como o senhor sabe que é por aqui? —  Javé pergunta.

— Está vendo o brilho no meu colar? —  Ele responde com uma pergunta.

— Sim.

— Bem —  o velho anão guarda o colar sob a camisa —  essa tênue luminescência indica que estamos próximos do meu navio. Olhem, uma luz no fim do túnel.

Uma claridade seguida de uma brisa salgada começa a surgir ao fundo, e, aos poucos, os cinco começam a ouvir o barulho do mar. Ao chegarem às margens da suposta saída, eles enxergam o oceano no horizonte e um grande navio, encalhado, na areia de uma praia sob outra caverna.

— Nós achamos! —  Thomas grita.

— Encontramos o Navio! —  Rhavena comemora.

— Sim, nós estamos ricos! —  Faelyn diz.

Javé aproveita o distanciamento de Morak para voltar-se a seus companheiros e dizer baixo:

— Espera aí. Quem garante que nós podemos confiar no anão? Ele me parece muito esquisito, há pouco ele disse coisas contrárias ao que ele nos falou na taverna. Eu não sei se…

— Vocês não virão? — Morak pergunta olhando para os quatro.

— Sim! —  Thomas diz se aproximando do anão.

— Escuta, Morak —  Javé diz firme.

— Sim? —  Ele pergunta calmo.

— O senhor está se contradizendo desde que saímos da taverna, e não sei se nós quatro deveríamos entrar naquele navio com o senhor! Por favor, nos dê um motivo confiável para que a gente possa cumprir o resto do trato.

O velho anão se vira para os aventureiros, solta um suspiro e sorri.

— Tudo bem, eu vou lhes contar toda a verdade. Eu era o capitão deste navio, há 200 anos. — Não me interrompa, jovem. —  Nós estávamos à procura de um lugar para esconder nosso ouro, havíamos feito um enorme trabalho para um antigo rei e ganhamos riquezas que vocês não são capazes de quantificar. Quando atracamos aqui, minha tripulação e eu fomos infectados por um tipo de parasita, isso foi nos deixando doentes e, aos poucos, um por um, os meus companheiros foram morrendo. Depois de três dias, com muitos doentes e cansados, eu resolvi procurar ajuda. Com muita dificuldade cheguei até o pequeno vilarejo, onde o dono da taverna me encontrou desacordado e me ajudou. Ele cuidou de mim por 10 dias. Infelizmente quando acordei, depois da doença ter ido embora, já era tarde demais para meus amigos. Eles morreram, morreram achando que eu não me preocupava com eles. —  Morak limpa seus olhinhos cansados, agora marejados por lágrimas. — Infelizmente, eu não tinha mais forças para voltar aqui, eu morri por causa da doença e minha alma não pôde descansar. Estive vagando à procura de aventureiros de coração nobre para me ajudarem nessa caminhada. Hoje graças a vocês eu poderei reunir meu espírito com os espíritos dos meus companheiros.

Morak começa a esbranquiçar-se, seu corpo passa a flutuar a centímetros do chão, enquanto seus olhos, que antes eram cansados e fundos, agora tornam-se órbitas brancas e sem vida. O velho anão se torna uma figura translúcida frente aos olhos dos aventureiros.

— Caraca! —  Thomas diz arrepiado.

— Ele era um fantasma o tempo inteiro —  Rhavena comenta.

— Felizmente encontrei vocês. —  A voz de Morak agora parece mais metálica do que o normal. —  Bravos Heróis, hoje eu lhes concedo nosso tesouro. Vocês poderão desfrutar de todo o ouro, conhecimento e riquezas que aqui se encontram. Usem os botes salva-vidas e saiam pelo mar. Hoje me reunirei com meus amigos.

Morak voa alto rumo ao navio, uma luz brilha forte na embarcação, outros espíritos se juntam ao velho anão e aos poucos uma aura em forma de navio se desprende. Segundos depois, os aventureiros estão diante de um navio fantasma exatamente igual ao real. Em seu comando, um simpático anão acena para eles da proa e a embarcação some rumo ao mar.


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