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Yamato, O guerreiro | Conto de Horror

Escrito por: Luis Couzenn - Orik

Um guerreiro que viveu para a espada e por aqueles que amava. Porém, nem sempre é possível protegê-los. Um evento envolvendo o Mundo das Trevas tirou tudo dele e o levou para um caminho onde a honra não mais importa. Yamato, O Guerreiro é um conto que serviu de background para um caçador de vampiros utilizado em Vampiro A Máscara e se conecta com o conto “Chanda Suria, A Dançarina”. Indicado para 16 anos ou mais.

Dizem que a tradução de samurai é “o guerreiro que serve”, se isso for verdade, esse guerreiro, serviu. As lendas dizem que um samurai verdadeiro nasce e morre ao lado de uma espada, e esse guerreiro pretende fazer jus a essa lenda. O Guerreiro nasceu antes da queda dos samurais, e sua família sempre esteve agregada a uma outra, muito rica, herdeira de xoguns antigos.

Yamato era o filho mais velho de seus pais, nascido na mesma noite do primeiro filho da nova geração de seus senhores, por esse motivo, ele seria criado como amigo e guarda-costas do herdeiro. O Guerreiro cresceu e treinou, se tornou um mestre na arte da espada, o melhor guerreiro de sua província. O Herdeiro cresceu e aprendeu, se tornou um grande administrador e um benevolente Senhor. O Guerreiro e o Herdeiro cresceram, se tornaram amigos, confidentes e também amantes. Mas o Herdeiro deveria se casar, deveria dar continuidade à sua linhagem, a família não poderia morrer.

Eles conversaram em segredo, como sempre fizeram, e decidiram preservar aquilo que conheciam, iriam manter apenas seus laços de amizade e trabalho. O Herdeiro prosperou, teve filhos e ficou ainda mais rico. O Guerreiro lutou, protegeu as terras de seu Senhor e todos que viviam nelas. Mas o Guerreiro e o Herdeiro jamais conseguiram manter o amor que sentiam longe de seus corações, vez ou outra, não podiam se conter e se amavam às escondidas. Um dia, a esposa do Herdeiro os descobriu, ofendida pela traição, ela foi embora e jurou que seu pai destruiria tudo que fosse do Herdeiro. O Guerreiro jurou que lutaria até suas forças acabarem para proteger o homem que ele amava, e ele o fez.

O Guerreiro venceu ataque após ataque, batalha após batalha. O Tao diz que apenas o homem pode unir céu e terra, e o Guerreiro o faria se necessário fosse para proteger seu amado. O Herdeiro fez de tudo para ajudar, deu-lhe as melhores armas que o ouro poderia comprar, treinou os melhores soldados, o alimentou como um rei, para que tivesse forças para o combate.

Porém, certo dia, uma notícia terrível chegou, um informante dizia que o pai da ex-esposa do Herdeiro havia contratado um guerreiro que ninguém poderia derrotar. O informante havia fugido de uma das guarnições das terras do Herdeiro, que foi massacrada por esse único homem. Na verdade, não era exatamente um homem, as armas o feriam, mas as feridas curavam-se instantes depois. Nada o mantinha no chão por muito tempo, parecia impossível matá-lo. Por fim, o homem bradou um desafio para o Guerreiro, uma luta pela honra de seus Senhores, ao pé da montanha que dividia as duas terras.

O Guerreiro, contra a vontade do Herdeiro, atendeu ao chamado. Ele acreditava que vencendo essa luta, a guerra acabaria. O Guerreiro jurou que venceria a luta, diante do céu e da terra, não importa quem fosse o inimigo. No vale ele esperou, mas o inimigo nunca veio, algo estava errado, o Guerreiro voltou o mais rápido que pôde. Chegou quando a noite já estava avançada e encontrou um cenário horrendo. A propriedade de seu amado estava em chamas, corpos espalhados por todos os lados. O Guerreiro entrou em desespero e correu para perto da propriedade e, diante das chamas, um homem se posta imponente segurando o Herdeiro pelo pescoço, com um punhal encostado em seu ventre.

O Guerreiro sabe que o homem o aguardava, quer matar seu amado diante de seus olhos, ele sabe que aquele monstro sorri, mesmo sem conseguir ver seu rosto. Aquele monstro abre o ventre do Herdeiro e desaparece correndo a uma velocidade que nenhum humano seria capaz. O Guerreiro corre até seu amado, que agoniza sob a luz do fogo de seu casarão, que arde em chamas. O Herdeiro olha para seu amado, acaricia seu rosto, pega seu colar de yin yang e entrega para o Guerreiro dizendo “Somente o homem pode trilhar o caminho do meio.” e amolece em seguida.

O Guerreiro grita de desespero! Ele se sente vazio, tudo aquilo que ele sempre conheceu e amou não existe mais. Ele olha a sua volta, buscando ao menos alguém que ainda respire e não encontra ninguém. O desespero cresce! O Guerreiro não quer mais ver toda destruição que está à sua volta, sua visão e a dos outros só trouxe sofrimento. Ele grita até perder a voz enquanto arranha seus olhos, ele sente o sangue fluir pelo seu rosto e suas mãos e não para. Quando o Guerreiro não tem mais voz e toda a dor de seu coração se tornou dor física e, por fim, desapareceu também, ele cai ao chão e permanece por horas sentindo o calor das chamas e ouvindo tudo à sua volta estalar enquanto queima. Horas depois, ainda ajoelhado, enquanto tudo queimava, o Guerreiro escuta a voz do Herdeiro repetindo as mesmas palavras e desmaia.

Ao acordar, numa planície marcada pelo fogo, o Guerreiro pode ouvir todos os detalhes à sua volta, a grama que resta balançando ao vento, a madeira queimada dos prédios envolta rangendo e ameaçando desabar, o vento sibilando e, novamente, a voz do Herdeiro sussurrando as mesmas palavras. Então, o Guerreiro entende que esta foi a última missão que seu senhor lhe deu, manter o equilíbrio do mundo, destruindo os monstros que poderiam causar toda destruição que ele presenciou. O Guerreiro vai até o corpo do Herdeiro, mesmo sem enxergar, ele conhece cada centímetro daquele lugar, o Guerreiro corta um pedaço daquela bela roupa e cobre os seus olhos feridos que não servem para mais nada.

Desde aquele dia, o Guerreiro vagou pelo Japão, cumprindo a missão que o Herdeiro lhe concedeu. Com o tempo, ele percebeu que o sangue daquelas criaturas prolongava sua vida, mais tempo para cumprir sua missão. Com o passar dos anos, os nomes pararam de fazer diferença, apenas a missão importava. O Guerreiro perdeu a conta de quantos monstros destruiu, e se destruiu aquele que matou seu amado, também não fazia mais diferença.

Os anos passaram sem deixar marcas, até que o Guerreiro conheceu aquela mulher, eles estavam caçando a mesma criatura, ele seguia rumores, e ela seguia memórias e os sentidos dos outros. Para ela, nomes faziam sentido, então deu-lhe o nome de Yamato já que, há muito, ele havia esquecido o seu. E por mais que Yamato não tivesse perguntado, ela se apresentou como Nartakee. Eles caçaram, o monstro era poderoso, eles tiveram que lutar muito juntos para vencê-lo. Pouco antes de morrer, aquela criatura vil se lembrou do Guerreiro, aquele era o monstro que havia lhe tirado tudo e, de agora em diante, tudo que o ligava ao mundo era sua missão, manter apenas aqueles que podem trilhar o caminho do meio vivos. 

A Dançarina levou o Guerreiro para outras terras, lhe deu uma nova identidade,  ensinou outras formas de lutar contra os monstros, afinal, não havia necessidade de ser honrado contra aquelas criaturas. Yamato, como agora se chamava, já havia descido ao patamar de consumir o sangue deles para continuar matando, alguma magia e proteções não o tornariam desonrado, são apenas monstros afinal. A Dançarina e o Guerreiro caçaram juntos, lutaram juntos e sangraram juntos. Todos os monstros tremiam de tê-los em seu encalço, a harmonia que desenvolveram para lutar lado-a-lado fazia jus ao equilíbrio que o Guerreiro carregava no peito.

 Após anos de luta a Dançarina revelou seu verdadeiro nome, Chanda Suria, e desse dia em diante eles sabiam que morreriam juntos no campo de batalha. Não importava quando ou onde. Afinal, já não fazia mais diferença. Depois de tantos lugares e tantas lutas, seriam amigos e parceiros de caçada até o fim.

Leia Chanda Suria, A Dançarina.


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Luis Henrique Couzen Magalhães

Artista marcial, Historiador L(G)BT, baixinho e RPGista apaixonado....sou praticamente um Anão Monge que adora uma boa história de Taverna.
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