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Brody Hampton – Parte 2 | Conto de Faroeste Fantástico [Exclusivo Apoiadores]

Um conto de Nilson Doria

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BadLands é um cenário de faroeste que mescla elementos históricos e sobrenaturais no qual grupos de aventureiros vivem suas histórias. Brody é um desses aventureiros. Este é o conto de Brody Hampton! Conheça suas andanças antes de reunir-se com seus companheiros Tony Chapéu de Cone e Lone Phil. Neste primeiro momento de sua jornada, Brody transita entre seu passado como Texas Ranger e seu presente como caça-diabos. Supersticioso, Brody sempre acreditou no sobrenatural, mas foi apenas durante seu serviço como soldado na Guerra Civil Americana, que ele teve seu primeiro contato com eventos e criaturas que desafiam qualquer explicação racional. Estes acontecimentos mudam completamente os rumos do seu futuro, além de fazê-lo questionar o passado de sua família. Após encarar a morte de perto, os espíritos aconselham Brody a buscar companheiros de jornada, o caçador-de-alma-partida e o homem-de-um-chifre-só.

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Durante a Guerra Civil Americana, Brody Hampton, um ex-Texas Ranger supersticioso, luta ao lado dos confederados na Batalha de Chickamauga. Após presenciar a morte de seu capitão e sobreviver a um ataque de criaturas pequenas e pálidas de olhos brilhantes, ele decide desertar, horrorizado com o que viu. Em sua fuga, enfrenta uma serpente gigante no rio Tennessee, reforçando sua crença no sobrenatural. Sem rumo, decide se tornar um caçador de demônios.

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▬ Autor:
Nilson Doria.

▬ Narração:
Rafael 47.

▬ Masterização, sonorização e edição:
Rafael 47.


Contos Narrados apresenta, ” Brody Hampton – Parte 2″, um conto de faroeste fantástico.

Esmola demais 

A vida de caçador de recompensas ia bem. Há alguns anos havia deixado de se preocupar com o status de desertor. Eram muitos para que alguém se desse ao trabalho de procurar por eles. Com o caos instalado pela guerra e pela aparente epidemia de diabos, Brody não tinha problemas em arranjar trabalho. Aos poucos foi construindo alguma fama. Não podia reclamar. Na verdade, reclamar era a última coisa que poderia passar pela sua cabeça naquela noite. Ele estava comemorando a boa sorte.

Havia ganho uma recompensa gorda por um serviço simples. Apenas escoltara uma grande diligência entre duas vilas próximas, sem nenhuma intercorrência. A estrada era amaldiçoada, diziam. Circulavam rumores de que algumas outras carruagens haviam sido misteriosamente atacadas e saqueadas sem que houvesse sobreviventes para contar a história, nem humanos, nem equinos. Após os assaltos, apenas cadáveres deformados eram encontrados espalhados pelo ermo, como se arremessados ou esmagados.

Os contratantes eram uns tipos esquisitos, vestiam-se como padres, ou bem parecido com isso. Umas camisas com colarinho bem alto, quase no gogó, mangas compridas abotoadas justas ao final do punho, deixando apenas as mãos à mostra. Calças vincadas, elegantes, que terminavam em sapatos brilhosos. Todo o conjunto preto, contrastando com suas peles muito claras. Eram muito educados. Mas claramente não eram sacerdotes. Não carregavam um crucifixo, uma bíblia. Alternavam-se como cocheiros durante a viagem. Nos momentos em que um não estava conduzindo, ficava absorto treinando truques com cartas.

A única exigência que fizeram a Brody durante o serviço era que ele, sob hipótese alguma, mesmo em caso de ataque, adentrasse a carruagem. Como os protegia dos perigos externos, e não do que quer que eles carregassem dentro do veículo, Brody não ligou para isso. O que quer que fosse, uma carga provavelmente valiosa, não era assunto seu, e estava sendo bem pago pela proteção. Nem mesmo lhe permitiram que assistisse a diligência ser carregada. No ponto de encontro marcado, próximo à fronteira com o território comanche, passageiros e carga já estavam embarcados.

Bom, isso era passado. Agora era hora de festejar. Regalou-se com o que de melhor o dinheiro podia comprar na região, comeu, bebeu do bom e do melhor, refez seu arsenal, comprou novas roupas. Só lamentou que não tivesse um chamego para a noite. Cidadezinha puritana… Estava muito feliz, e, como bom cristão, procurou por Deus, em suas preces noturnas, nesse momento de gratidão:

– Oba, sou eu de novo, Deus! Obrigado pelo serviço molezinha de hoje, viu? Só por hoje nos deixeis cair em tentação. Não se zanga com eu, por favor! Livrai-nos mal. Amém!

A noite estava excepcionalmente quente, ou, quem sabe, Brody tivesse se excedido na bebida, e que lua bonita brilhava lá fora! –  resolveu deixar a janela aberta para circular o ar enquanto dormia. Apanhar um pouco da brisa noturna. Parecia seguro, não estava no térreo, a porta estava trancada, rifle à mão. Que sensação boa! Arrancou as botas e refestelou-se na cama macia da estalagem. Sonhou com a parte da festa que não pudera realizar.

– Moço, moço… – era um sacolejar de leve, macio.

– Ahn? – grunhiu ainda sem entender nada.

– Moço, moço, acorda, moço! – era um sacolejar macio e cheiroso, cheirinho de flor silvestre.

– Hm… que foi? – já mais acordado, mas sem conseguir abrir os olhos.

– Moço, é você o caçador de diabos que tá todo mundo comentando? – era um sacolejar macio, cheiroso e ruivo.

– Oba! Moça! Que você tá fazendo aqui?! – assustou-se ao abrir os olhos, ficou tímido que o sonho tivesse deixado marcas visíveis.

Era uma bela mulher quem o sacudia na cama, vestida com uma camisola branca, sua pele tão alva quanto as vestes, e os cabelos vermelhos como o fogo. Devia ter uns trinta e poucos anos. Seu rosto estava aflito, e lágrimas vertiam-se dos olhos de íris amarelada. A lua cheia reluzia de uma forma sobrenatural sobre o seu semblante.

– O que aconteceu, moça? Por que cê tá chorando? – disse Brody já recomposto e aliviado por perceber que nada denunciava suas saliências oníricas.

– Ai moço… me ajuda!

– Claro, o que a senhora precisa? – Brody resolveu mudar o tratamento, uma moça tão bonita, naquela idade, naquelas bandas, certamente haveria de ser casada.

– Moço, ele matou meu marido e levou meus filhos!

– Quem fez isso, minha senhora? Eu vou lá agora mesmo dar conta desse desgraçado!

– Foi o gigante, moço. O gigante!

– Peraí, senhora! Que história é essa de gigante?! – finalmente acordado o bastante para pensar nisso – E como é que a senhora entrou aqui? A porta ainda tá trancada!

– Moço, por favor, por favor, depressa! Os meus filhos, meus filhinhos! – e começou um pranto sofrido com soluços profundos e convulsionantes.

O pranto desarmou Brody, que simplesmente calçou as botas, tomou o rifle e a pistola, destrancou a porta e seguiu a senhora.

Davi e Golias

Não era difícil seguir a senhora naquela noite clara. Eles partiram para fora da vila, em direção a uma região com pequenos platôs de arenito que se elevavam da planície algumas poucas dezenas de metros. Ela seguia veloz, até que estancou de repente.

– É ali. – disse apontando para um dos platôs.

Brody pôde reconhecer estacionada próxima à elevação a diligência que escoltou.

– Eles levaram meus filhos para o gigante. – disse a senhora enquanto continuava a caminhar devagar, cautelosa e silenciosamente.

Conforme se aproximavam, era possível perceber a entrada de uma caverna na base do platô e uma tênue luz emanando da robusta entrada. Uma tocha ou fogueira, impossível precisar à distância.

O experiente caça-diabos sentia que havia muita coisa errada acontecendo ali. Tudo aquilo era muito estranho. Por que aqueles tipos esquisitos estavam ali? Eles teriam sequestrado os filhos daquela misteriosa senhora? E que raios de gigante era esse?! Mesmo atribulado por estas perguntas, Brody sentia-se compelido a ajudar a senhora, e imensamente curioso. Certamente havia dedo do demo nisso.

Aproximaram-se com calma, esgueiraram-se, escondidos, até a  entrada da caverna. Brody à beira da entrada e a senhora ao seu lado, mais afastada. Ambos colados na encosta do platô. Observaram o movimento. Algo pesado havia sido arrastado para dentro há pouco. Vozes se faziam ouvir.

– Aqui está o que prometemos. Pode ver, estão todos bem. Saudáveis. Intocados. Conforme o combinado.- era um dos contratantes de Brody quem falava.

– Huh – uma voz grave como um trovão respondeu parecendo concordar.

– Podemos contar com a sua parte no trato? – era o outro almofadinha que contratara o caça-diabos.

– Sim – ressoou um novo trovão.

– Ótimo. Enquanto o mantivermos alimentado, você só atacará quem mandarmos você atacar.

– Certo.

– Voltaremos em um mês com uma nova carga. Até lá mantenha a passagem segura. Estamos movendo nossos homens para cá. Só ataque se vir este símbolo nas carruagens.

Brody esticou o pescoço para dentro da caverna e viu a bandeira da União na mão de um dos homens, e uma sombra que se projetava colossal no espaço da caverna. Por um segundo seu sangue gelou.

– O senhor viu eles? Viu o gigante, viu meus filhos?

– Shh… não vi nenhum deles. Mas o gigante está lá.

– O que o senhor vai fazer?

Sem responder, Brody verificou a carga do rifle e da pistola, seguiu pelo corredor, e adentrou o salão da caverna atirando na direção dos seus antigos patrões. Um deles caiu inerte com o disparo do rifle. O outro tiro errou o alvo. O janota que permanecia de pé sacou uma carta de baralho. Um clarão ofuscou o ex-Ranger que só conseguiu sentir o choque do ombro do fugitivo contra seu corpo enquanto evadia da caverna, e um urro inumano que vinha de seu interior.

Enquanto se recuperava, pôde ouvir um grito horrendo vindo do lado de fora. Certamente era o fugitivo. Parecia ter sido atacado por um animal selvagem. Não teve tempo para verificar o que acontecia por lá, a imagem imponente do gigante esfregando os olhos conferia um sentido de urgência à situação que não podia ser evitada. Aos pés da figura de três metros e meio, havia uma gaiola com quatro crianças comanches desacordadas. Elas pareciam bem, mas, definitivamente, não eram filhas da senhora que o trouxera até ali.

Brody disparou seu novo Winchester contra o gigante, os tiros o acertaram. Porém a criatura era sólida como uma rocha. Já recuperado da cegueira repentina, a criatura buscou por sua clava, um tacape do tamanho de um homem, e investiu contra o algoz. Uma nuvem de poeira subiu com parte do arenito se quebrando com o golpe. O chão tremeu. Daquela vez Brody conseguiu esquivar, mas não podia contar com a sorte. Além disso havia as crianças ali, era perigoso demais manter o combate dentro da caverna.

Fez novos disparos contra o monstro, agora com sua pistola, enquanto recuava para a saída da gruta. Àquela distância era impossível errar a figura descomunal. Como o esperado, o gigante ainda avançava. O teto do acesso da caverna ao mundo exterior era baixo, e o corredor estreito, estava protegido de um novo ataque de clava. Mas o gigante também estava ciente disso e mudou de estratégia. Puxou o caça-diabos pela perna e o arremessou contra a parede oposta.

Todas as suas costelas estalaram e ele caiu próximo à jaula das crianças. Era agora ou nunca. Arfando, recarregou o Winchester e começou a preparar a mira. O gigante abaixou e o agarrou com a manzorra, espremendo-o contra o chão, certo de sua vitória.

– Morre, capeta dos infernos! – dois disparos no olho esquerdo do gigante foram o suficiente para que ele tombasse. Felizmente para trás, sem atingir Brody ou a gaiola.

Toda a celeuma do combate acabou por despertar as crianças, que se encolhiam e choravam abraçadas em um canto daquele espaço apertado.

Ofegante, e quase desfalecido, Brody suspirou aliviado. Mais um diabo na sua conta. As crianças, salvas. Deus devia estar satisfeito.

Caça e caçador

Poderia ser que Ele estivesse satisfeito, certamente o diabo ainda não.

A senhora surgiu novamente, sua camisola agora estava tingida de sangue, assim como sua boca e mãos.

– Obrigada, Hampton! – disse lambendo o sangue que lhe tingia os lábios.

– Dona, o que aconteceu, cê tá bem?

– Muito bem, obrigada. Poucas vezes estive tão bem. – disse com uma malícia indisfarçável.

– A senhora tá me assustando. O que tá acontecendo? Essas crianças não são seus filhos, não. Eles são comanche!

– Sim, são comanche. Não, não são meus filhos. Ah, vocês, Hampton, são tão previsíveis…

– Que presepada toda é essa, afinal?! Eu não entendo! – Brody estava prestes a tombar com os ferimentos, mas precisava entender tudo aquilo, a curiosidade o mantinha desperto.

– Claro que não entende, humano. Irei esclarecer. Talvez isso faça você sofrer mais. Essas crianças seriam oferecidas ao gigante para que ele deixasse a estrada limpa para os mascates. Fui eu quem as capturou e entreguei a eles.

– Mas porquê? Quem são esses mascates?

– Você trabalhou para eles, matou um deles e não sabe quem são? Hm… melhor assim. Agonize na dúvida. Eu enganei você. Mas eles? Ah! Eles nunca confiaram em mim. Sabidos! Por isso te contrataram, para protegê-los de mim.

– Dona, eu continuo sem entender nada!

– Eles queriam controlar o gigante e pediram ajuda a mim. Ajuda, a mim! Huhuhuhuhu! – enquanto ela falava uma metamorfose começou, seu nariz alongava-se, seus cabelos vermelhos começavam a se alastrar por todo o corpo, ela foi se curvando e suas mãos tocaram o solo. – Eles sabiam que não podiam confiar em mim, – a transformação concluiu-se com a senhora assumindo a forma de uma raposa gigante – mas que escolha eles tinham? Não estavam dispostos a sacrificar as próprias crianças, e apenas dois deles no território comanche, que chance teriam? Recorreram a mim para capturar as crianças.

– Meu Senhor, o que é isso?! O que a senhora é? – sem forças para mais nada, Brody benzia-se compulsivamente.

– Você está vendo quem eu sou verdadeiramente. Costumo conceder esta dádiva aos moribundos. Sempre odiei esse gigante, ele sempre levava vantagem sobre mim com sua força bruta, e minha astúcia não valia sobre ele, de tão burro que era. Quando os mascates te contrataram para protegê-los de mim, vi a oportunidade perfeita para me livrar de todos eles.

– Seu diabo, maldito! Acha que pode passar a perna em todo mundo?

– É o que eu faço desde o início dos tempos. Huhuhuhuhuh! Enganei você, enganei seu pai, seu tataravô.

– É você, bruxa?!

– Que importa? Você está morrendo e eu vou triunfar mais uma vez. Eu não podia com aquele gigante, e poderia menos com a aliança dele com os mascates. Então, você apareceu. Demos conta dos mascates, você matou o gigante, e eu? Eu ganhei um mês de refeição! – enquanto falava dava voltas em torno da gaiola salivando para as crianças apavoradas.

– Maldita! O que você sabe do meu pai?

– Sei que vocês vão se encontrar em breve! – a fera pulou sobre Brody com suas patas dianteiras segurando seus braços e salivando sobre seu rosto.

– Deus! Qual parte de livrai-nos do mal Você não entendeu?! – disse Hampton fechando os olhos e encomendando sua alma.

Foi quando a Raposa caiu sobre seu corpo, ferida por uma flecha. E sussurrou a seu ouvido:

– Afinal, sou eu quem encontrará seu pai. Mandarei lembranças, huhuhuh, aaaarg!

As últimas coisas que Brody viu foram várias flechas cravando-se sobre o corpo da Raposa, e um par de botas femininas comanche se aproximando.

A visão do Cauda-Longa

Quando deu por si novamente estava em uma padiola, todo enfaixado, e circulando por um acampamento comanche. Reconheceu sua salvadora pelas botas. Parecia que ela intercedia por ele ante a tribo e o curandeiro. Depois ele veio a entender que aquele périplo já era parte do ritual de cura. Circulou por várias tipis até que foi levado a uma maior que o normal, com a escultura de um castor na entrada.

Lá dentro havia uma cama preparada, e algumas pessoas sentadas em torno dela, que iniciaram um cântico assim que ele entrou na tenda. Havia algum desconforto em receber um branco neste lugar sagrado, mas estavam todos gratos por Brody ter ajudado a salvar as crianças. Elas eram o bem maior dos comanches.

Ele não entendeu bem o que se passava, alternava períodos de vigília, sono, e algo entre os dois enquanto o rito seguia. Soube apenas que ao final do processo sentia-se bem melhor. As costelas ainda doíam, mas respirar de mansinho já era possível sem desconforto. Durante todo o processo de cura ficou recluso naquela mesma tenda, exposto aos fumos e vapores que operavam a recuperação do seu corpo com a ajuda dos espíritos.

– Está chegando a hora de partir, Valente. Somos gratos por ajudar as crianças, mas não temos dívida com você, salvamos sua vida.

– Oba, e eu sou muito grato por isso. Salvaria as crianças ainda que isso não trouxesse recompensa. De todo modo, estamos quites.

– Você tem uma missão importante nesta terra cheia de espíritos malignos. Não deve andar só. O Cauda-Longa me deu essa visão. Você deve encontrar outro caçador como você, o caçador-de-alma-partida. Juntos vocês caçarão bestas, homens maus e diabos.

– Olha, que isso de alma partida parece coisa do capeta… devo mesmo me juntar a alguém assim?

– Ele não é maligno, apenas incompleto. É o que o Cauda-Longa mostrou.

– E como eu reconheço um homem-de-alma-partida? Se fosse um homem-com-a-cara-rachada, seria mais fácil.

– Ele não estará só. Ele estará acompanhado do homem-de-um-chifre-só. Serão seus companheiros.

– Bão, um homem de um chifre só, parece mais fácil de reconhecer. Obrigado. Irei partir.

– Vá, que o Grande Espírito o guie. E cuidado, a Raposa é rancorosa, não desistiu de você!

Meia alma

– E foi assim que eu matei o gigante! Duas balas bem no olho do grandão! – Brody bravateava no saloon, enquanto as portas balançavam à entrada.

– Acudam, acudam! Meu amigo está ferido. Quer dizer, ele não está ferido, ferido, mas desmaiou de repente, não sei o que aconteceu. Não consigo fazer ele acordar. Algum médico na casa?

Aquele alarde chamou a atenção do caça-diabos, que voltou a cabeça em direção à entrada. Um homem trajado em peles e farrapos era arrastado pelas axilas por outro abaixado.

– Eu não sou médico, mas posso ajudar. – Brody caminhou em direção à dupla. – Então o que houve com ele? – os dois deitaram o maltrapilho numa mesa.

– Sabe, nós somos sócios, estamos produzindo chapéus de vanguarda. Estamos fazendo um lote grande. Acho que ele passou tempo demais no curtume, os vapores da química fizeram ele desmaiar. O que eu faço?! Ele é caçador, caça e trata o couro. É ele quem cuida disso! Ai, eu tô perdido! Ele parece estar mais para lá do que pra cá! – tomou o pulso do amigo, levantou o braço e o deixou cair, estava sem tônus, molenga – Tá vendo, parece que tem só meia alma dentro dele agora!

– Vamos levar ele lá pra fora. Essa fumaça toda de tabaco aqui não vai ajudar.

– A propósito, eu sou o Tony.

– Brody, prazer!

Levaram o homem desacordado para fora, desabotoaram a jaqueta e a camisa, abanaram o mais que puderam, sem resultados, todavia. Brody correu até um boticário, voltou com uma ampola de amônia e a quebrou próximo às narinas do convalescente. Em alguns minutos, Phil acordou.

– Muito obrigado, seu Brody! Ele tá vivo! Olha, no momento eu não tenho como pagar pela ajuda do amigo. Estamos com todo nosso capital empenhado na fábrica. É temporário, porque quando o lote estiver pronto! Ah, aí sim! Seremos ricos! Mas, já sei, já sei! Eu ofereço sociedade ao senhor. O amigo salvou meu sócio, é o mínimo do mínimo! Não vai se arrepender! Olha aqui o que estamos fabricando! – Tony orgulhosamente vestiu um chapéu de cone.

Brody, criando em seu íntimo, e pela primeira vez na história, a noção de vergonha-alheia, entendeu o recado do Cauda-Longa. Um caçador com meia alma no corpo, e um homem com um chifre na cabeça. Brody não foi tão ousado a ponto de aceitar a sociedade. Chapéus de cone?! Era demais para ele, mas também não decepcionaria o espírito.

– Ô seu Tony, agradeço a oferta, mas isso é muita modernagem para mim. Eu me contento se o senhor e o seu sócio me contratarem como guarda-costas. Isso é serviço que conheço e sei cumprir.

– Negócio fechado! – Tony e Brody apertaram as mãos longamente. Estavam ambos aliviados, mas por razões distintas Tony por não precisar dividir parte de sua futura fortuna, Brody por ter se livrado de um mal. Amém!

FIM.


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